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Domingo, 24 de Julho de 2011

Adeus



Espera...
talvez ainda não seja
a hora das confissões...
Como saber se não mentirás ao revelar os teus segredos,
se os meus segredos não serão mentira apartados de ti?
...os teus segredos de criança embalada pela música,
tu que sentes o passado imenso em melodias...
Silêncio. Sabe calar. Se mereceste o dom da intimidade,
de que vens falar tão alto?


Vieram ter comigo os caminhos,
para que a tua voz fosse um degrau ao seu querer evadir-se
e em ti esperam o acordar do sono enorme, obra do maleficio antigo.
Ás vezes, é como se uma corda cedesse,
e o vento levasse um pouco do que foste.
julgas-te, então, longe do teu passado como dum estranho...
Ilusão! nada se vai embora desde que foi em ti existência profunda.
Tudo passa, mas quando não importa...
e cada dia a vida se acrescenta
e vais descendo em ti. mergulhador involuntário,
cada vez mais longe dos outros,
cada vez acenando de mais longe o lenço irreal da saudade pelos que abandonas,
e cada vez mais longe,
mais impossível te parece a mensagem fraterna,
e o silêncio em redor vai aumentando, e pesando,
e cobrindo-te de véus que a pouco e pouco intimidam a tua voz,
- e quanto mais longe, mais distante, mais sozinho,
melhor tu próprio ouves a melodia indizivel da vida que te afoga...


Adolfo Casais Monteiro

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